|
Letras do Passado: - 26/09/2004 a 02/10/2004 - 19/09/2004 a 25/09/2004 - 05/09/2004 a 11/09/2004 - 29/08/2004 a 04/09/2004 - 22/08/2004 a 28/08/2004 - 15/08/2004 a 21/08/2004 - 01/08/2004 a 07/08/2004 - 25/07/2004 a 31/07/2004 - 18/07/2004 a 24/07/2004 - 11/07/2004 a 17/07/2004 | |
|
Letras dos Amigos: - A Idade da Loba - Fala Poética - Letras ao Acaso - Proseando com Mariza | |
|
|
Que País é esse? Meus dedos já reclamam quando teclo pedindo justiça. Já sabem de que de nada adianta e tentam inutilmente me convencer "Você tem que desistir!" "Você tem que parar de insistir" eu não escuto e continuo cega, surda e às vezes até me faço de burra persistindo na tecla já apagada, consumida pelo dedo já quase sem digital mas com personalidade repetindo, se preciso for, milhares de vezes se preciso for que haja justiça, paz, identidade nesse nosso Brasil de tanta desigualdade.
- Postado por: Renata às 15h21 [ ] [ envie esta mensagem ] LIÇÃO Já andava há dois dias sem destino. Tentando encontrar o caminho de volta. O de ida é sempre muito fácil. Alguém te oferece facilidade e você entra. O primeiro momento é mágico. Tudo tem solução. Nos tornamos potentes, coisa que normalmente não somos. Passado algum tempo aquilo só já não basta. É necessário algo mais forte e por mais tempo. Haja dinheiro. Haja saúde. Haja cérebro que aguente. Em pouco tempo somos apresentados ao fundo do poço. Amigos distanciaram-se, pois já não nos comunicamos na mesma língua. A nossa língua é agressiva, é revoltada. Valores todos são esquecidos. Amor só se tem por quem lhe ajuda a conseguir mais e mais. E o fundo não tem fim. O reflexo é um corpo velho, uma face decrépita, digna de pena. A família chora sem qualquer acesso, sem vislumbrar saída. A imagem que me vem à mente é de um corpo nú, em posição fetal, assexuado, tentando se libertar em meio ao vômito no chão do quarto. Quando entrei nisso não tinha noção do caminho sem volta. Achava que pararia quando quisesse e retornaria à minha rotina. Entendi que não. Queria poder fazer o caminho de volta e nunca mais chegar àquela situação. Estava ali. Estendida, enquanto o paramédico me atendia sem que eu tivesse qualquer consciência do que se passava. Tudo que sei é que não houve tempo de despedida, não houve tempo de explicações. Ninguém era culpado. Fui fraca, troquei tudo que tinha por alguns momentos de alucinação, que tornaram-se três longos anos até o instante final. Alívio e dor. Para mim, para a família, para quem me viu definhando. Acreditava que ainda podia me recuperar, tamanha era minha inconsciência. Entendi de pronto que estava num lugar que não conhecia, um hospital talvez... Não saberia dizer... O efeito começava a passar e a dor era descomunal. Tentei me erguer e caí sem apoio. Em meia hora mais ou menos apareceu Gilda, que nesse momento não tinha idéia de quem fosse. Ofereceu-se para me ajudar. Queria saber de todos. Cadê minha mãe? Certamente já estava exausta das minhas internações. Chorei com esse pensamento. Queria mudar e não sabia por onde começar. Chorei até não ter mais lágrimas, mas estava aliviada. Começava a sentir coisas normais e não reações provocadas. Em dois dias mais ou menos me explicaram o que fazia ali. Estava em outro plano. Já não pertencia à terra e meu trabalho, a partir de então, era recuperar jovens como eu. Espero poder te ajudar enquanto você ainda está aí.
- Postado por: Renata às 14h59 [ ] [ envie esta mensagem ] Acaso bem marcado Lia acordou procurando o resto do creme importado que Marcinha havia trazido em sua última viagem. Precisou raspar o pote para aproveitar a última gota. Nada de desperdício, ainda mais se parasse para pensar no seu extrato bancário. Aquele era um dia especial. Embora chovesse do lado de fora, seu coração estava em festa. Depois de três anos sem ver Carlinhos, hoje chegaria para o jantar. É bem verdade que nunca foi uma paixão ou algo similar, mas era boa companhia, além de significar uma noite de sexo. O que Lia já quase esquecia do que se tratava... Pediu à Maria que preparasse um prato especial, comprou um bom vinho no cartão de crédito já quase detonado, investiu o máximo no jantarzinho. Carlinhos chegou por volta das vinte e uma horas, com um perfume delicioso, de fazer perder o rumo da conversa. Colocaram os assuntos em dia, CD de boa qualidade tocando, quando Lia pediu à Maria que servisse o jantar. Maria estava orgulhosa da beleza das iguarias bem arranjadas na louça de prata recém adquirida pela patroa. Quando servia a última travessa, Maria escorregou deixando a bandeja despencar no colo de Carlinhos que começava a gritar em desespero, uma vez que o molho fervendo lhe queimava as entranhas. Lia não sabia o que fazer. Maria chorava. O homem gritava, tentando arrancar as calças. Tudo não durou mais do que dois minutos, até o moço estar semi-pelado. Lia não sabia como se desculpar e só pensava na noite desperdiçada de forma banal. Nem tudo estava perdido. Lia ofereceu um banho ao moço que de pronto aceitou. Ofereceu pomada que prometia não deixar marcas de queimaduras, que ela mesma acabou passando. A pomadinha milagrosa acabou sendo espalhada por partes que ainda não haviam sido queimadas. Mas certamente seriam... - Postado por: Renata às 14h33 [ ] [ envie esta mensagem ] Penso, logo insisto. Quero a vida mais que tudo Chegar às vias do absurdo, Me encharcar de vinho e água. Penso, logo resisto. Recuo por medo da felicidade Reflito nas adversidades E temo a frustração no fim. Penso, logo desisto. Me intriga essa esperança Me fecho no peito de criança E digo adeus ao que mais queria. - Postado por: Lala às 09h20 [ ] [ envie esta mensagem ] Resquícios Tranquei a porta. Precisava chorar. Mas não antes de arremessar os sapatos longe. Não aguentava mais o salto. E para quê? Nem me notou...era como se eu não estivesse ali. Passei horas me produzindo... pensando na cor que ele gostava, no esmalte que ele queria, na calcinha que ele desejava... Agora sim, podia chorar e borrar a maquiagem à vontade. Não havia ninguém para me olhar... A não ser o espelho à minha frente que parecia me dar ordens para me recompor...Eu não ficava bem assim...Não combinava com meu estilo... Sempre dei a volta por cima e decidi não mudar. O telefone chama...uma...duas...três vezes...Tento limpar a voz: -Alô! Mudo do outro lado. -Alô! Respiração forte, meio que decidindo se fala ou desliga... - Alô! – Tento mais uma vez. - AAAllôoo – assim – meio gago. - Quem está falando? – Fingindo que não reconheço a voz grave do outro lado... - Oi! É o Eduardo! - Tudo bom? – Fingindo surpresa - É que te vi no bar e acho que estamos precisando conversar... - Ah, desculpa! Agora não dá... - Você está com alguém? - Estou ocupada - Falamos em outra hora - Ok. Assim. Sem mandar beijo, sem nada.
- Postado por: Renata às 15h06 [ ] [ envie esta mensagem ] Quem nunca amou? Plante uma árvore, escreva um livro, ame, ame muito Se sair machucado, levante, siga, mas não se arrependa de ter amado Quem nunca amou não aprendeu o valor de um telefonema no meio do nada, sonhar com gosto, com cheiro de alguém e ficar totalmente inebriado...não ver a vida passar, porque a única coisa que tem importância é o outro Quem nunca amou não é capaz de saber o valor de um pôr-do-sol, de uma lua cheia, de uma música que toca e leva às lágrimas só por fazer lembrar de um momento especial. Quem nunca amou não sabe o valor de ler e reler e reler...a carta recebida,de rir quando nada tem graça e de ficar totalmente sem graça quando o coração dispara e ameaça sair pela boca... Quem nunca amou não sabe o que é fazer amor por inteiro, com entrega total, irrestrita, morrer um pouquinho nos braços do amor para voltar à vida revigorada. Quem nunca amou não sabe o que é fazer as pazes depois de uma briga, renovando as promessas de "vamos ficar juntos para sempre". Quem nunca amou não sabe o que é ter na boca, no corpo, na alma, o amor cravado como uma faca que massacra de saudade... Quem nunca amou não sabe o que é olho no olho e ter a alma decifrada sem uma palavra pronunciada Quem nunca amou não experimentou a droga que alucina, que entorpece, que domina e faz perder a razão... Quem nunca amou prescinde da vida, das grandes emoções, não sabe o que é viver... viver por inteiro.
- Postado por: Renata às 17h07 [ ] [ envie esta mensagem ] Desatino
Rompi à força
a corrente da razão
jorrei todo meu sangue
puro vermelho-azul
aflorando tão unicamente
a emoção contundente
Fertilidade
Engravidei do sol
pari a lua
cheia - crescente
tão nova
já minguante
Incógnita
Semblante sem rosto
apodrece devagar
padece sem cor
sem qualquer identidade
Cacto
Às quatro da manhã
gozei o pranto
já talhado
melado
pela dor - Postado por: Renata às 11h28 [ ] [ envie esta mensagem ] Crise Varri teu nome dos meus versos chorei fel renasci Renata - Postado por: Renata às 14h16 [ ] [ envie esta mensagem ] Jú entrou na livraria procurando um exemplar do lançamento de Carlos Drummond de Andrade. Por um instante, enquanto folheava o livro, lembrou de Beto e das noites em que liam juntos, "brincando" de declamar. As lembranças agora eram apenas lembranças. Já não doíam a ponto de preferir morrer. O rosto dele começava a perder a nitidez na sua memória. Isso ela não queria. Não podia deixar a voz esvanecer-se dentro dela.Tentou, por um momento, em vão, lembrar do beijo e percebeu que já não sabia o gosto que tinha. Os cheiros perderam-se. Nas digitais já não era capaz de identificar a pele. Como podia ser isso? Suas lágrimas, outrora tão molhadas, jaziam secas pela indiferença. Enquanto morria um pouco nos seus devaneios, escutou uma voz distante chamando: - Oi, Júlia! Tudo bom? Não acreditava. Deixou o livro cair no balcão enquanto sentia-se tonta. Um ano havia? Ou mais? Há tempos havia parado de contar o tempo. Desde que o tempo havia deixado de importar. - Oi, Beto! Quanto tempo! Havia conseguido. Sua voz saiu normal. Suas pernas tremeram. Imperceptível. Tinha certeza. Beto nunca reparou em muita coisa. Homem é desligado! Trocaram algumas palavras e postaram-se de costas. Jú pretendia pagar e sair dali o quanto antes. Era o medo de trair-se a qualquer momento. Logo agora que quase já esquecia o rosto, a voz, o cheiro, aparecia para lembrá-la de que existia, mas não para ela. Saiu às pressas, sendo alcançada no meio da rua: - Júlia, que tal um café? Por que "Júlia" agora? Havia sido Jú durante oito anos... "Júlia" era mortal! - Ah, Roberto... - resolveu dar o troco - tenho que ir ao banco, às compras - era o politicamente correto - mas apenas disse: - Um café? Claro! Por que não? Sentaram-se próximos - o mais próximo que um casal separado permite-se sentar sem parecer desejo de volta. Beto pôs-se a falar da vida, das mulheres, dos casos sem importância. Da vontade que teve inúmeras vezes de procurá-la, não o fazendo por covardia. Falou da solidão. Da falta de companhia. Da falta dela. Estava nas nuvens. Pensou durante meses nisto: em que voltaria arrependido, arrasado. Mas entendeu sem maiores dificuldades que não era essa a questão. Era solidão. É bem verdade que ainda não encontrara o que queria, mas bem sabia o que já não lhe servia. Já não lhe bastava ser "tapa-buraco", "porto-seguro". Compreendeu que não adianta remendar o que está arrebentado. Só adia a questão. É mais sofrimento. Mais desgaste. Esperou terminar a falação, que concluiu convidando-a à seu apartamento, a fim de ficarem mais à vontade. Jú foi. Não mais acreditando num conto de fadas, mas consciente de que aproveitaria a situação como melhor lhe conviesse. Mediu cada passo. Foi técnica. Basicamente técnica. E agradou. Muito. Saiu renovada, fechando, atrás de si, Beto e sua solidão/ilusão. - Postado por: Renata às 15h58 [ ] [ envie esta mensagem ] Queria sorver cada lágrima tua
enquanto impedisse outras de caírem
Queria provocar-lhe o riso insensato
louco, ainda que para isso fizesse absurdos
Queria te esquentar do frio com um cobertor
e se falhasse, cobri-lo com meu corpo
Queria aquecer tua alma como se lareira fosse
contar-lhe histórias de uma vida
para, por fim, fazê-lo dormir no colo. - Postado por: Renata às 16h19 [ ] [ envie esta mensagem ] Eu Sou feita de louça
às vezes
por sentir quebrar
se você se for
Sou feita de cimento
quando preciso
decidir, quando
mãe protegendo
filho
Sou feita de filó
quando você chega
e me jogo em seus braços
buscando teu colo
que me acolhe
sem tempo
em tempo
Sou feita de pano
no momento da
entrega maior
do amor
sem desengano
- Postado por: Renata às 15h38 [ ] [ envie esta mensagem ] Sem Palavras Nesse meu transe silente Sinto-me assim, de repente, Alguém que não sabe o que sente Iludindo-se, tão somente, Usando das palavras realmente O pouco que delas se pressente Tento arriscar inutilmente Algumas palavras que me vêm à mente Mas isso me deixa dormente Por não ser exatamente algo que se apresente Por isso prefiro ficar ausente Fingindo estar indiferente a este estado indecente Buscando unicamente Plantar das palavras a semente Que me faça, finalmente, Sair desse marasmo demente.
- Postado por: Lala às 21h33 [ ] [ envie esta mensagem ] Quando tudo parece perfeito Um dia Branca de Neve encontrou o lobo mau. Podia acabar aí. Mas não vai. Quero continuar e contar detalhes dessa história sórdida. O lobo mau, diga-se de passagem, não era tão mau assim. Não era propriamente bonito, mas tinha um charme irresistível. Pelo menos para Branca de Neve, que tinha acabado de deixar o príncipe. Levava apenas duas malas e muito fogo contido. O príncipe era ideal e ninguém entendia a súbita separação. Os anões, sua única família, questionavam o porquê, já que o príncipe se desdobrava em fazê-la feliz. Além do que, agora era uma princesa. Não podia sair assim... O lobo mau, não era tão mau, tampouco bom. Não sabia esperar. Não queria. Cansou-se das lamentações e infantilidades da Chapeuzinho e a vovozinha já havia falecido. Procurava uma mulher madura, com boas intenções...mas nem tão boas assim... Uma mulher que pudesse realizá-lo sem ficar de cinco em cinco minutos achando necessário discutir a relação. Nunca foi capaz de entender isso: o tempo perdido para discutir a relação. Discutir o quê?! Já Branca de Neve buscava novos horizontes. Tinha um príncipe. Sempre disposto. A tudo. Cansou-se. Queria mais da vida. Mais de um homem. Alguém que a puxasse pelos cabelos e simplesmente dissesse: te quero agora!
- Postado por: Renata às 11h09 [ ] [ envie esta mensagem ]
Estou em fase de crisálida Envolta em meu impermeável invólucro Que me protege de sofrimentos e me torna inviolável. Quando serei novamente borboleta? Quero voar sem rumo, leve e solta... Quero rever as cores do mundo E quero, sobretudo, Reencontrar quem eu sou. - Postado por: Lala às 11h05 [ ] [ envie esta mensagem ] Inocência Inspiras minha poesia com teu ar poético sem pretensões Com teu olhar maroto de quem sabe o que faz E de quem nada quer mas pede sempre mais Que mistério é esse que envolve o corpo descobrindo a alma desvendando os olhos entreabertos cismando fechar pois ainda não sabe que é possível sonhar com os olhos abertos... - Postado por: Renata às 16h32 [ ] [ envie esta mensagem ]
|